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Exportações impulsionam crescimento de 0,8% da economia portuguesa no segundo trimestre

Polisteoria

1/09/2026

A economia portuguesa cresceu 0,8% no segundo trimestre de 2026 face aos primeiros três meses do ano, beneficiando sobretudo da evolução favorável da procura externa.

Os valores agora apresentados confirmam a estimativa rápida anteriormente divulgada e mostram uma aceleração significativa da atividade económica face ao primeiro trimestre, período em que o PIB tinha avançado apenas 0,1% em cadeia.


Esta evolução ficou essencialmente associada ao comportamento das trocas comerciais com o exterior. Segundo o INE, o contributo da procura externa líquida passou de -2,0 pontos percentuais no primeiro trimestre para +0,7 pontos percentuais no segundo trimestre, refletindo uma aceleração das exportações e, simultaneamente, um abrandamento das importações.


Em sentido contrário, o contributo da procura interna para o crescimento trimestral diminuiu significativamente, passando de +2,1 para +0,1 pontos percentuais, uma evolução explicada, em grande medida, pela redução do investimento.


Na comparação com o segundo trimestre do ano anterior, a economia portuguesa apresentou igualmente uma evolução positiva. O crescimento homólogo de 2,5% representa uma ligeira melhoria de 0,1 pontos percentuais relativamente ao trimestre anterior.


Também nesta comparação se verificou uma melhoria do contributo da procura externa líquida. Embora se tenha mantido negativo, passou de -2,3 para -1,3 pontos percentuais, favorecido pelo crescimento mais expressivo das exportações. Já o contributo da procura interna diminuiu de 4,6 para 3,8 pontos percentuais, refletindo sobretudo a desaceleração do investimento.


Exportações de serviços ganham destaque


Entre abril e junho, as exportações portuguesas aumentaram 2,5% face ao primeiro trimestre, acima do crescimento de 1,9% observado anteriormente. Os serviços apresentaram a evolução mais favorável, com uma subida de 3,4%, enquanto as exportações de bens avançaram 2,0%.


As importações registaram, por sua vez, um crescimento trimestral mais moderado, de 1,0%, depois de terem aumentado 5,9% no trimestre anterior. Esta evolução resultou de comportamentos distintos: enquanto as importações de serviços cresceram 8,5%, as importações de bens diminuíram 0,7%.


Em termos homólogos, as exportações aumentaram 4,0%, acelerando significativamente face aos 1,4% registados no primeiro trimestre. Também neste indicador os serviços apresentaram maior dinamismo, com um crescimento de 4,6%, comparativamente aos 3,7% registados nas exportações de bens.


As importações aumentaram 6,5% em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento foi particularmente expressivo nos serviços, cuja variação homóloga atingiu 16,0%, enquanto as importações de bens cresceram 4,4%.


Consumo das famílias mantém crescimento, enquanto investimento recua


As despesas de consumo final das famílias aumentaram 3,7% em termos homólogos. O crescimento foi particularmente significativo nos bens duradouros, que registaram uma subida de 9,3%, enquanto os bens não duradouros e os serviços avançaram 3,1%.


Face ao primeiro trimestre, o consumo das famílias aumentou 1,0%, impulsionado por um crescimento de 5,6% nos bens duradouros e de 0,5% nos bens não duradouros e serviços.


O investimento apresentou uma evolução distinta. Apesar de ter crescido 5,7% em termos homólogos, registou uma redução de 2,5% face ao trimestre anterior, contribuindo para o menor dinamismo da procura interna.


Os dados do segundo trimestre evidenciam, assim, uma alteração na composição do crescimento da economia portuguesa, com a procura externa e, em particular, as exportações a assumirem um papel determinante na expansão do PIB, enquanto o investimento revelou sinais de abrandamento.

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