
Luis Freire
23/06/2026
O licenciamento de edifícios em Portugal registou uma quebra no arranque de 2026. Segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, no primeiro trimestre foram licenciados cerca de 6,5 mil edifícios, menos 10,9% do que no mesmo período do ano anterior.
Licenciamento de edifícios recua 10,9% no primeiro trimestre de 2026
O licenciamento de edifícios em Portugal registou uma quebra no arranque de 2026. Segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, no primeiro trimestre foram licenciados cerca de 6,5 mil edifícios, menos 10,9% do que no mesmo período do ano anterior.
A maioria dos edifícios licenciados correspondeu a construções novas, que representaram 75,8% do total. Dentro deste universo, 82,2% tinham como destino a habitação familiar. No mesmo período, foram ainda licenciados 331 edifícios para demolição, o equivalente a 5,1% do total.
A evolução regional foi desigual. Apenas a Região Autónoma da Madeira e o Alentejo registaram crescimentos homólogos, com aumentos de 12,7% e 5,0%, respetivamente. Pelo contrário, as restantes regiões apresentaram descidas, com maior expressão na Grande Lisboa, onde o número de edifícios licenciados caiu 22,3%, no Algarve, com uma redução de 19,1%, e na Região Autónoma dos Açores, com menos 15,5%.
Construção nova e reabilitação em queda
O licenciamento de edifícios para construção nova diminuiu 9,9% face ao primeiro trimestre de 2025. Neste segmento, apenas o Alentejo e a Região Autónoma da Madeira apresentaram variações positivas, com subidas de 7,9% e 5,7%, respetivamente.
As maiores quebras registaram-se na Grande Lisboa, onde o licenciamento de construção nova recuou 18,3%, e no Algarve, com uma diminuição de 18,0%.
Também as obras de reabilitação registaram uma evolução negativa, com uma descida homóloga de 13,2%. Ainda assim, esta quebra foi menos acentuada do que a verificada no trimestre anterior, quando o recuo tinha sido de 22,4%.
Menos fogos licenciados, mas mais fogos concluídos
No segmento da habitação familiar, o número de fogos licenciados em construções novas diminuiu 3,1%. Em sentido contrário, os fogos concluídos aumentaram 3,7%, reforçando a tendência de crescimento já observada no trimestre anterior.
A Península de Setúbal destacou-se com o maior aumento no número de fogos licenciados, registando uma subida de 80,9%. Seguiram-se o Algarve, com mais 19,2%, o Norte, com um crescimento de 12,0%, e o Alentejo, com mais 9,9%.
Em sentido inverso, a Grande Lisboa apresentou a quebra mais expressiva, com uma redução de 46,0% no número de fogos licenciados. A Região Autónoma dos Açores registou igualmente uma descida relevante, de 19,0%.
Comparando com o semestre anterior, o número de edifícios licenciados aumentou 9,6%, enquanto o número de edifícios concluídos diminuiu 3,7%.
Área licenciada diminui 13,5%
A área total licenciada também recuou no primeiro trimestre de 2026, registando uma diminuição homóloga de 13,5%. Esta evolução contrasta com o crescimento de 3,3% observado no trimestre anterior.
Apesar da descida a nível nacional, algumas regiões apresentaram aumentos expressivos. O Alentejo liderou este crescimento, com uma subida de 68,3%, seguido da Península de Setúbal, com mais 33,7%, da Região Autónoma da Madeira, com 19,8%, e do Oeste e Vale do Tejo, com 10,2%.
O Norte continuou a ser a principal região em termos de licenciamento, concentrando 38,4% dos edifícios licenciados no país. A região representou ainda 39,0% das construções novas licenciadas e 35,3% dos edifícios destinados a reabilitação.
O Centro ocupou a segunda posição, com 19,8% dos edifícios licenciados, 19,6% das construções novas e 20,6% dos edifícios destinados a reabilitação. Já o Oeste e Vale do Tejo assumiu o terceiro lugar no total de edifícios licenciados e nas construções novas, enquanto a Grande Lisboa teve o terceiro maior peso nas obras de reabilitação licenciadas.
No que respeita aos fogos licenciados em construções novas para habitação familiar, o Norte concentrou 47,2% do total nacional, seguindo-se o Centro, com 14,4%, e a Grande Lisboa, com 11,4%.
Diferenças significativas entre municípios
A análise municipal revela contrastes relevantes na evolução dos fogos licenciados. Os cinco municípios com maior aumento absoluto concentraram 19,6% do total nacional, uma proporção bastante superior aos 10,7% registados no trimestre homólogo.
Em conjunto, estes municípios registaram mais 977 fogos licenciados, correspondendo a um crescimento de 73,5%.
Por outro lado, os cinco municípios com maior redução absoluta contabilizaram menos 1.338 fogos licenciados face ao mesmo período do ano anterior, o que representa uma quebra de 59,2%.
A evolução mensal ao longo do trimestre também não foi uniforme. Janeiro e fevereiro registaram descidas homólogas de 15,5% e 20,3%, respetivamente. Já março apresentou um crescimento de 3,8%. Ainda assim, a recuperação registada no último mês não foi suficiente para compensar as quebras dos dois primeiros meses do ano.
Edifícios concluídos aumentam ligeiramente
Apesar da redução nos licenciamentos, o número de edifícios concluídos aumentou ligeiramente. No primeiro trimestre de 2026, estima-se que tenham sido concluídos 3,9 mil edifícios em Portugal, incluindo construções novas, ampliações, alterações e reconstruções. Este valor traduz um crescimento homólogo de 1,5%.
As construções novas continuaram a representar a grande maioria dos edifícios concluídos, correspondendo a 82,2% do total. Destas, 79,4% destinaram-se à habitação familiar.
A nível regional, o Oeste e Vale do Tejo apresentou o maior crescimento no número de edifícios concluídos, com uma subida de 17,4%. Seguiram-se o Alentejo, com mais 12,5%, a Grande Lisboa, com 11,7%, a Península de Setúbal e a Região Autónoma da Madeira, ambas com aumentos de 3,5%.
Nas restantes regiões registaram-se diminuições, sendo a mais acentuada a da Região Autónoma dos Açores, com uma quebra de 11,5%.
Construções novas concluídas crescem 1,1%
As construções novas concluídas aumentaram 1,1% a nível nacional face ao primeiro trimestre de 2025.
A Região Autónoma da Madeira registou o maior crescimento, com uma subida de 16,1%, seguindo-se o Oeste e Vale do Tejo, com 15,1%, o Alentejo, com 14,0%, a Grande Lisboa, com 5,0%, e a Península de Setúbal, com 4,1%.
Em sentido contrário, os maiores recuos verificaram-se na Região Autónoma dos Açores, com menos 18,3%, e no Algarve, com uma diminuição de 17,9%.
Reabilitação concluída também aumenta
As obras de reabilitação concluídas registaram igualmente uma evolução positiva, com um crescimento homólogo de 3,2%.
A Grande Lisboa apresentou a subida mais expressiva, com um aumento de 79,4%, correspondente a mais 27 edifícios concluídos. Seguiu-se o Oeste e Vale do Tejo, com um crescimento de 38,1%, equivalente a mais 16 edifícios.
Por outro lado, a Região Autónoma da Madeira registou a maior redução neste segmento, com uma descida de 30,4%, correspondente a menos sete edifícios concluídos.
Fogos concluídos para habitação familiar aumentam 3,7%
No primeiro trimestre de 2026 foram concluídos 6,9 mil fogos em construções novas destinadas à habitação familiar, mais 3,7% do que no mesmo período de 2025.
Contudo, este crescimento não foi generalizado a todas as regiões. Apenas o Alentejo, o Norte, o Algarve e o Oeste e Vale do Tejo registaram aumentos, com subidas de 20,8%, 18,2%, 9,4% e 5,2%, respetivamente.
Nas restantes regiões observaram-se descidas. As mais significativas ocorreram na Região Autónoma dos Açores, com menos 16,8%, na Península de Setúbal, com uma quebra de 16,2%, na Região Autónoma da Madeira, com menos 14,2%, no Centro, com uma redução de 12,4%, e na Grande Lisboa, com menos 8,1%.
Norte mantém liderança nacional
As regiões Norte e Centro concentraram mais de metade dos edifícios concluídos no país, representando em conjunto 55,2% do total. As duas regiões concentraram também 59,4% dos fogos concluídos em construções novas para habitação familiar.
O Norte manteve-se como a região com maior peso nacional, reunindo 36,6% dos edifícios concluídos. Seguiram-se o Centro, com 18,6%, e o Oeste e Vale do Tejo, com 12,1%.
Também nos fogos concluídos em construções novas para habitação familiar, o Norte liderou, concentrando 47,2% do total nacional. A Grande Lisboa ocupou a segunda posição, com 14,0%, seguida do Centro, com 12,2%.
Área construída cresce 7,7%
Apesar da descida dos licenciamentos, a área total construída em Portugal aumentou 7,7% face ao primeiro trimestre de 2025.
A Península de Setúbal registou o maior crescimento, com uma subida de 21,3%. Seguiram-se a Grande Lisboa, com 17,4%, o Alentejo, com 15,5%, o Oeste e Vale do Tejo, com 12,6%, e o Norte, com 9,8%.
Nas restantes regiões verificaram-se reduções, sendo a mais expressiva a da Região Autónoma da Madeira, onde a área total construída diminuiu 15,4%.
